segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Era uma vez


Quais são as suas chances entre zero e nada?
Chance nunca de uma possibilidade jamais.
Vamos decidir no azar... vou jogar a moeda.
Na queda será que vai dar vergonha na cara ou coroa de espinhos?
A tua não consciência não entende nenhuma dessas faces.
Manchada em meu rosto e pontiaguda na minha mente dói.

Mas e nós?
Não.
Talvez?
Também não.
Por quê?
Não!

Mais uma vez...
Uma vez nós fomos mais.
De agora em diante nunca mais.
                                                          
Esta poesia fará parte do livro “Significado”

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Oito


Preciso dormir...
Oito horas de sono sem palavras.

A noite foi de oito horas sem sono.
Madrugada... palavras precisam falar.
Sinto agora um descaso profundo.
O dia havia sido raso sem mergulhos.
Preciso ficar cansado de criar.

Outro dia...
Crio... recrio... várias e várias vezes.
Hoje foi fértil, fácil e exagerado.
Tenho então oito horas de sono sem palavras.
Esse sono não é vazio... é habitado.
Não importa se são sonhos ou pesadelos.
O pesado é suportar o nada.

Nas outras dezesseis horas...
Preciso sonhar que estou sonhando.
Camadas e camadas de palavras.
Formam a cama e o chão de fato.
Para que o descanso e ação possam existir.

Essa poesia fará parte do livro “Rosa dos Tempos”.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Diagnóstico

Se Freud explicasse menos e rimasse mais...
Talvez tivesse realmente salvado...
O ser teórico-mecânico-humano-depressivo.
Não julgo Jung ou Freud.

Eu sofro sor­­rindo do distúrbio artístico-compulsivo.
Compartilho loucuras imaginárias diariamente.
Psicopoetia... disparo palavras sem ferir ninguém.

Síndrome da admiração-perseguição.
Leitores terroristas... vejo-os por toda parte.
Sua subjetividade explode a idéia inicial.
Esses fragmentos não ferem... agradeço por isso.

Sei que existem outros...
Sufocados... sem o ar da imaginação.
Através da fuga se afogam em destruição.

Eu tenho as armas não fatais.
Irradia... construção em massa.

Esse texto fará parte do livro “Tentei me explicar”


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Promoção


É usado.
Realizei agradeci... não posso jogar fora.
Não sou vendedor, mas preciso vender.

Quer comprar um sonho?

É multiuso, reciclável e rejuvenescedor.
É o retorno da estrada do fim.
É...
É o que você quiser que seja.

Um dia sonhei em ser um maluco normal.
Viver um cotidiano mágico e simples.
Fazer do caos uma monotonia apaixonante.

Não precisa pagar basta pegar.
Você se interessa?

Esta poesia fará parte do livro “Tentei me explicar”


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ex-poeta

Acabou a equipe... foram embora...
A musa... a magia... a alegria.

Versos por hora... versos por minuto... versos por milagre.
Aproveitei e me despedi da última poesia.
Fui demitido pelo branco e pelo silêncio.

Na rua da paciência me resta apenas esperar.
Na hora que a palavra passar eu embarco.

Peço carona...
Estendida a folha vazia não é cartaz.
A carona não vem.

O tempo fechou...
Vai cair uma tempestade.
Imediatamente jogo fora o guarda-chuva.

Sento na calçada.
Faço um barco com a folha vazia.
Em terra seca enxurrada é oportunidade.

Chegou a hora de embarcar.
Na viagem novos sons e imagens.
Deixei de ser um ex-poeta.
Voltei a ser o capitão das belas palavras.

(Essa poesia fará parte do livro “Tentei me explicar”)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Tela viva

Que lindo...
O pintor se superou... assim diz ela.
Admiro as pinceladas... as atitudes.
Os traços... o comportamento admiro tanto.

Não se refira a mim como um quadro.
Quero dedos na tela... novos traços na pele.
Algo além da moldura.
Braços teus moldados ao meu redor.

Não me olhe apenas com esses olhos.
Admiração é distancia.

Preciso fundir a tua imagem a minha.
Criar novas cores.
Sem o pigmento amor sou tela branca.

(Essa poesia fará parte do livro “Pintor de palavras”)



terça-feira, 8 de novembro de 2011

1: Verso 12

Claros e alegres... seus olhos são.
Os meus são presas afiadas... observo.
Suas palavras irradiam pureza.
Sou a ex-castidade... amor em corpo e verso.
Ela cita versículos.
Eu sei apenas declamar versos.

Ela citou...
I Coríntios capítulo treze versículo sete.
“... O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta…”.

Eu como sempre declamo a mim mesmo.
Marcelo capítulo um verso final.
“A paixão faz a minha fé gritar por você.”